Experiência de aprendizagem: jovens silvicultores peruanos contribuem com a pesquisa sobre a castanha-do-brasil

No meio de uma floresta de castanheiras na Amazônia peruana, Hideki Kohagura Arrunatogui, estudante universitário, está trabalhando junto com o silvicultor Serapio Condori Daza. Serapio está balançando um facão e abre uma pilha de frutos de castanha-do-brasil — chamados cocos no Peru por sua semelhança aos cocos — para extrair algumas castanhas.
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No meio de uma floresta de castanheiras na Amazônia peruana, Hideki Kohagura Arrunatogui, estudante universitário, está trabalhando junto com o silvicultor Serapio Condori Daza.

Serapio está balançando um facão e abre uma pilha de frutos de castanha-do-brasil — chamados cocos no Peru por sua semelhança aos cocos — para extrair algumas castanhas.

Hideki está anotando as coordenadas de cada castanheira e registrando quantos frutos ele produziu. Mais tarde, depois de Serapio ter terminado a pilha de cocos, eles vão pesar as castanhas colhidas nesta árvore.

Eles trabalham bem juntos — não conversam muito, apenas ouvindo os insetos, os pássaros, o bater ritmado do facão de Serapio e o ruído surdo, profundo e perigoso, de um coco maduro atingindo o solo.

“Trabalhamos longe das castanheiras para que os frutos não caiam em nós — já houve acidentes no passado”, diz ele. Ele também usa um capacete.

Este artigo é parte de um pacote de multimídia sobre a floresta amazônica. Veja mais em blog.cifor.org/amazonia

Hideki é um dos 13 alunos de silvicultura peruanos da Universidad Nacional Amazónica de Madre de Dios (UNAMAD) em Puerto Maldonado trabalhando com o Centro de Pesquisa Florestal Internacional (CIFOR) em um novo projeto de pesquisa.

Seu objetivo é determinar o impacto que o corte seletivo nas concessões castanheiras tem sobre quantos frutos e o peso das castanhas dentro desses frutos, produzidos por cada árvore.  Os alunos estão coletando dados em cinco concessões próximas às aldeias de Alerta e Alegría, saindo diariamente com os trabalhadores durante a estação de colheita.

“Para mim, o objetivo é obter experiência em tantas áreas diferentes quanto puder para que eu decidir que tipo de trabalho florestal quero fazer”, disse Hideki.

“Nossa pesquisa pode ajudar os produtores de castanha-do-brasil a terem mais informações sobre o que está acontecendo em suas concessões — e, ao mesmo tempo, estamos aprendendo.”

O líder do projeto, Manuel Guariguata, diz que a universidade tem sido muito favorável.

“Os alunos estão aplicando o que aprenderam em sala de aula no campo. Por isso, estão recebendo treinamento, sobre como quantificar o peso da colheita, a condição das árvores e outros atributos”, diz ele.

“Esperamos que eles se tornem mais conscientes de que o sistema está funcionando, pois são eles que decidirão no futuro.”

“É um processo dinâmico, não é apenas uma via de mão única — nós estamos aprendendo com eles também”, disse ele.

Eriks Arroyo Quispe, aluno avançado da UNAMAD, e Julia Quaedvlieg e Cara Rockwell, consultoras do CIFOR, supervisionam os alunos no campo.

“Muitos deles são bastante jovens, 20 e 21 anos — é a sua primeira experiência profissional”, afirma Rockwell.

“Alguns dos alunos já tinham experiência em concessões, porque seus avós as tinham ou porque vieram de cidades pequenas como Alegría e Alerta e estão acostumados com a cultura de castanha-do-brasil. Mas, com alguns deles, realmente tivemos que começar do zero”, diz ela.

“Não é a mesma coisa que trabalhar com engenheiros florestais com muitos anos de experiência, certamente há dificuldades, mas eu acho que é ótimo que uma organização como o CIFOR ajude no treinamento de jovens”.

“Há muita oportunidades em Madre de Dios agora para os jovens que saem com um diploma de engenharia florestal.”

Enquanto aprendem habilidades científicas práticas, por exemplo, como fazer medições confiáveis e uso de sistemas de GPS, os alunos também estão absorvendo lições importantes sobre como trabalhar com as comunidades.

“Esperamos que algo que eles obtêm como pesquisadores é que, especialmente quando você está trabalhando com os membros da comunidade, a população local, é importante manter uma comunicação aberta com eles e discutir como eles podem aplicar os resultados de sua pesquisa no local”, diz Rockwell.

“É uma pergunta de pesquisa muito oportuna. Não apenas será uma informação interessante para a comunidade científica em geral, mas também temos um desejo real de retornar os resultados desta pesquisa para as pessoas no solo, para que possam usá-los em seus planos de manejo.”

Rockwell diz que é também uma oportunidade para os alunos — e os cientistas do CIFOR — aprenderem com as comunidades onde estão trabalhando.

“Todos nós temos diploma universitário, obtido às custas de muito tempo, esforço e lágrimas; temos as técnicas e a formação e podemos analisar os dados.”

“Mas as pessoas destas comunidades vivem nas florestas há muito tempo, então, eu acho que há muitas oportunidades para colaboração e aprendizado mútuo”, diz ela.

Outra aluna da UNAMAD, Olivia Revilla, conta sua história aqui 

Para ler mais sobre a pesquisa que os alunos estão fazendo, clique aqui .

Este trabalho integra o Programa de Pesquisa sobre Florestas, Árvores e Agroflorestas da CGIAR e contou com o apoio do USAID.  

 

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