Q & A com Sven Wunder sobre o estado de REDD+ na América do Sul

Nesta entrevista, Sven Wunder, principal cientista do Centro Internacional de Pesquisa Florestal (CIFOR) e chefe do escritório do CIFOR no Brasil, analisa a forma como REDD+ se desenvolveu na América do Sul, e o que ele antevê que acontecerá nos próximos anos. Na parte inferior da página você pode assistir esta entrevista em vídeo, a qual foi gravada no Brasil em abril.

Q: Qual é o estado de REDD+ na América do Sul?

Em comparação com outras regiões de florestas tropicais do mundo, as experiências-piloto de REDD estão bastante avançadas na Amazônia e na América do Sul, graças a organizações da sociedade civil muito ativas na região. Muito do que tem sido feito foi realizado pelas ONGs, que têm impulsionado o processo adiante. O Brasil é o país líder, tanto em termos de sua ação na região amazônica, como também pelo número de projetos de REDD que estão em fase inicial. No Peru você também tem algumas poucas experiências que estão decolando agora, e há esforços para um programa nacional de pagamentos por serviços ambientais a ser possivelmente ligado a esse processo. No Equador, você tem um processo semelhante onde o programa público Bosque Social está fazendo pagamentos por serviços ambientais para a conservação da floresta, e o governo está tentando ligá-lo ao processo de REDD, a fim de conseguir outras fontes de financiamento para o seu programa. Então, esses são alguns exemplos que mostram que há muita coisa acontecendo na região.

Q: Existe um crescente apoio político para REDD?

Sim. Os países estão começando a ver REDD como uma oportunidade de financiamento que vem para a conservação das florestas, mas também para alcançar os moradores pobres da floresta em regiões marginais que teriam poucas possibilidades para receber financiamentos do governo. São ambos os motivos que estão movendo os governos. Claro, também há vozes de céticos, que mesmo em um país como o Brasil, até bem recentemente, pelo menos do lado do governo, estavam contestando a idéia de REDD. Você ainda vê algumas vozes céticas e obstáculos ideológicos que vêem REDD como sendo ligado a uma forma neo-liberal de fazer a conservação da floresta. Na pior das hipóteses isto mina algumas das forças intrínsecas para a conservação da floresta por seus próprios valores.

Q Quais são os pontos de vista dos grupos indígenas?

Eles estão muito divididos sobre esta questão. No Brasil, por exemplo, você tem várias organizações indígenas que estão preparando projetos, como os Suruí, que prepararam um projeto próprio de REDD. Em outras regiões, como a Bolívia, por exemplo, temos visto algumas contra-reações exatamente na linha do que eu falo que é “vender o oxigênio para os gringos”, para colocar em termos populares. Isso pode ser (causado) por insegurança sobre o que o processo é, equívocos sobre o que está realmente em jogo. Veremos nos próximos anos se essas suspeitas serão superadas e se vamos seguir em frente.

Q: Quais impactos você antevê que REDD pode ter sobre as taxas de desmatamento na América do Sul?

Fora do Brasil temos muita insegurança nos dados a respeito do que realmente está acontecendo com a cobertura florestal. O Brasil, através do seu Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), tem um acompanhamento muito confiável de mudanças na cobertura florestal, mesmo no curto prazo. Em outros países, como Equador, a última avaliação de ponta a ponta da cobertura florestal ocorreu há 10 anos. Então você tem que olhar para evidências mais circunstanciais sobre o que está acontecendo. Eu penso que fora do Brasil as evidências circunstanciais mostram que há provavelmente menos desmatamento agora do que há 10 anos. Muito disso poderia estar ligado ao fato de que tivemos uma enorme crise financeira internacional que vem reduzindo os preços das commodities, que são uma das principais causas para a conversão das florestas. Agora nós vemos uma certa retomada, novamente. Vamos ver se isso vai novamente induzir maiores taxas de desmatamento. Se você olhar para o Brasil em particular, há um debate

Sven Wunder

interessante sobre até que medida as políticas podem ser as principais responsáveis pela queda nas taxas de desmatamento, ou se isso tem mais a ver com os preços baixos das commodities. Esse também é um tema de pesquisa muito interessante, no qual nós esperamos nos aprofundar mais.

Q Poderíamos ver REDD induzir maiores quedas na taxa de desmatamento no curto prazo?

Eu certamente acho que sim. Temos visto processos, como o Fundo Amazônia no Brasil, onde o dinheiro já está mudando de mãos e onde estão acontecendo ações a campo. Eu penso que o desafio será passar de uma série de projetos para o desmatamento evitado em um nível maior de agregação.

httpv://www.youtube.com/watch?v=WodKL0bcdks


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