Os manguezais sendo destruídos a uma “taxa alarmante” ainda não foram mencionados na versão zero da agenda da Rio+20

BOGOR, Indonésia (14 de Março de 2012) "Oceanos" será um dos temas principais em discussão na Rio+20, com o objetivo de assegurar o desenvolvimento sustentável do oceano e da proteção dos recursos marinhos, mas manguezais - cuja capacidade de sequestro de carbono e de fornecer um punhado de serviços dos ecossistemas marinhos está sendo perdida em um "ritmo alarmante" - não são mencionados em nenhum ponto da versão zero da agenda da cúpula
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BOGOR, Indonésia (14 de Março de 2012) “Oceanos” será um dos temas principais em discussão na Rio+20, com o objetivo de assegurar o desenvolvimento sustentável do oceano e da proteção dos recursos marinhos, mas manguezais – cuja capacidade de sequestro de carbono e de fornecer um punhado de serviços dos ecossistemas marinhos está sendo perdida em um “ritmo alarmante”- não são mencionados em nenhum ponto da versão zero da agendada cúpula.

Brotos em manguezal na praia de Pejarakan Village, Indonésia. Foto por Aulia Erlangga para CIFOR

“Com a perda dos manguezais, perderíamos muitos serviços importantes dos ecossistemas. O impacto sobre as comunidades locais e ecossistemas adjacentes seria catastrófico “, disse Boone Kauffman, cientista do Centro Internacional de Pesquisa Florestal e principal autor da recente publicação do CIFOR: Protocolos para a medição, monitoramento e registros sobre a estrutura, biomassa e estoques de carbono em florestas de manguezais.

“Dados os seus valores únicos e as ameaças dramáticas à sua existência continuada, tanto devido às alterações climáticas como pela degradação em curso, há uma necessidade urgente de os governos presentes na Rio+20 reconhecerem a importância dos manguezais e desenvolver melhores políticas para garantir a sua proteção. ”

De volta ao laboratório, os pesquisadores do CIFOR estão analisando o carbono em milhares de amostras de solo de mangue de todo o Sudeste Asiático e da América Latina. Os métodos que eles estão desenvolvendo para medir o carbono informará a revisão que o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) fará das diretrizes para inventários de gases de efeito estufa em zonas úmidas – um desenvolvimento crucial para melhor inclueir manguezais e outras importantes zonas úmidas em programas de financiamento de carbono, tais como a Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD +).

“Os manguezais armazenam até três a quatro vezes mais de carbono do que a maioria das florestas tropicais”, disse Kauffman.

“Nós desenvolvemos metodologias precisas e eficientes para quantificar os estoques de carbono por causa da potencial importância dos manguezais, não só em tratados internacionais sobre alterações climáticas, como o REDD +, mas também para o desenvolvimento sustentável, tais como a discussão iminente dentro da cúpula Rio+20”.

A Ásia abriga a maior área de manguezal do mundo, originalmente compreendendo mais de 6,8 milhões de hectares, representando 34-42 por cento do total mundial. A Indonésia detém quase 23 por cento dos manguezais do mundo, seguida pela África, com 20 por cento, as Américas do Norte e Central, com 15 por cento, a Oceania, com 12 por cento, e a América do Sul com 11 por cento.

Os Manguezais, bem como os pântanos de maré e os campos com influência marinha, removem carbono da atmosfera e o retém no solo, onde pode permanecer por milênios. Ao contrário de florestas terrestres, estes ecossistemas marinhos estão continuamente construindo reservatórios de carbono, armazenando grandes quantidades de “carbono azul” em seus sedimentos ricos em materiais orgânicos.

Quando os manguezais são degradados devido à drenagem ou conversão para a agricultura ou aquicultura, eles emitem grandes e contínuas quantidades de gases com efeito de estufa para a atmosfera. As taxas de desmatamento e conversão de manguezais para outros tipos de uso da terra estão entre as maiores de todas as florestas tropicais, com a conversão das terras contribuindo para a perda de 35 por cento dos manguezais do mundo entre 1980 e 2000.

“Os manguezais estão sendo destruídos a uma taxa alarmante e isso precisa parar”, disse Daniel Murdiyarso, Cientista Sênior do CIFOR. “Há uma falta de consciência das implicações da perda de manguezais para a humanidade.”

Kauffman acredita que pesquisas que quantifiquem a composição da floresta, os reservatórios de carbono e as grandes emissões que resultam da conversão de manguezais irão fornecer informação valiosa para os esforços para proteger os manguezais.

“Esta informação poderia ser usada para preservar os serviços vitais dos ecossistemas de manguezais, tais como o fornecimento de comunidades locais com os meios de subsistência relacionados com os recursos pesqueiros e de conchas, produtos florestais madeireiros e não-madeireiros, ecoturismo, fontes de biodiversidade, e importantes fontes de nutrientes e energia para os recifes de corais adjacentes, bem para a proteção de zonas costeiras contra catástrofes naturais, alem de funcionar como sumidouros de carbono extremamente grandes. ”

Tais pesquisas certamente serão necessárias para monitorar os estoques de carbono dos manguezais para permitir a participação na mitigação da mudança climática regulada e atividades do mercado de carbono, como o REDD +. Esta publicação atende a essas necessidades específicas para os ecossistemas de mangue.

“Dadas as diferenças de ecologia, composição e estrutura dos manguezais em relação aos tipos de floresta de terra firme, foi necessário elaborar este manual”, Kauffman acrescentou.

REDD + ajuda a reduzir os gases do efeito estufa pela compensação aos países por evitar o desmatamento ou degradação florestal. Seu quadro mais amplo, no entanto, poderia proporcionar uma compensação para aspectos como a valorização da floresta e dos estoques de carbono.

Manejo de ecossistemas costeiros para a gama de serviços que prestam pode complementar as abordagens existentes para soluções com base em processos naturais para reduzir os efeitos da mudança climática. Tais investimentos têm o potencial de vincular o REDD + e outros mecanismos de financiamento de carbono, desde que os protocolos sobre contabilidade, verificação e registro da absorção líquida de carbono possam ser acordados.

Os métodos de medição de carbono utilizados pelos cientistas correlacionam com o Amarramento 3, o mais elevado nível do sistema do IPCC, que reflete o grau de precisão da avaliação do estoque de carbono para participação no programa de REDD +.

O Amarramento 1 usa hipóteses simplificadas e pode ter uma margem de erro de aproximadamente 50 por cento para reservatórios acima do solo e mais ou menos 90 por cento para o reservatório variável de carbono do solo. O nível 2 requer dados específicos sobre carbono de cada país para fatores-chave. O Amarramento 3 requer dados de inventário altamente específicos sobre os estoques de carbono em diversos reservatórios de carbono, e repetidas medições dos estoques-chave de carbono ao longo do tempo.

Kauffman e o co-autor Daniel Donato desenvolveram um plano de medição em cinco passos para alcançar resultados precisos. O primeiro passo consiste em definir os limites do projeto. Em segundo lugar, divide-se os manguezais em categorias de acordo com seu tipo, como orla costeira, estuários, ou manguezais baixos. Ao quantificar os estoques de carbono também é necessário separar os manguezais em seus componentes de superfície e sub superfície, o que fornece mais detalhes sobre os níveis de carbono e permite uma melhor quantificação das emissões ou de sequestro de carbono.

Finalmente, a frequência de amostragem é importante. Medições dentro de intervalos de cinco anos podem vir a ser obrigatorias para solicitar créditos no mercado de carbono.

O rápido aumento do nível do mar no século 21 e o aumento de tempestades têm sido citados como as principais ameaças aos manguezais, que têm persistido em climas com alterações mais graduais do nível do mar pela migração em direção à terra ou para cima. De acordo com as tendências climáticas atuais, projeta-se que o nível do mar deve subir tão alto quanto 1 a 1,5 m até o final deste século – e ainda maior se o derretimento da camada de gelo continuar se acelerando.

Para garantir que a Rio+20 ofereça uma mensagem global de que as florestas são relevantes para o desenvolvimento sustentável, o CIFOR irá coordenar uma das conferências mais importantes sobre florestas no dia 19 de junho de 2012. Florestas: a 8a Mesa Redonda na Rio+20 vai discutir novos resultados da pesquisa, as lacunas de conhecimento restantes e as implicações políticas para a integração de florestas nas soluções a quatro desafios fundamentais para o progresso em direção a uma economia verde: energia, alimentos e renda, água e clima. As vagas são limitadas. Registre-se aqui, para evitar decepções!

 

 

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