Plano B para esfriar o planeta

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De Andréa Zenóbio Gunneng, Brasil – www.conexaoverde.com

Forest clearing and fire for pasture near São Félix do Xingu, State of Parà, Brazil. Photo: Benoit Mertens

De bandido a mocinho, o Brasil passou de ser o portador de altos índices de desmatamento – principalmente na floresta Amazônica – para ser a estrela no cenário multilateral de negociações climáticas quando o assunto se refere a redução de emissões por desflorestamento e degradação florestal (REDD+).

Um exemplo desse status brasileiro no cenário internacional foi o país ter sido o tema de abertura do 4° Dia Florestal que acontece hoje em Cancún, México, como um dos eventos paralelos à 16ª Conferência da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP16).

O evento reuniu 1,5  mil pessoas entre cientistas, negociadores, povos indígenas, e praticantes de silvicultura e só não pôde receber mais pessoas porque o espaço físico do ‘Centro de Cancun’ não comportava. De fato, CIFOR, a instituição organizadora do evento, recebeu 1,9 mil pré-inscrições. O objetivo do Dia Florestal, em sua quarta edição (a primeria foi em Bali, em 2007, durante a COP13) é promover troca de experiências e atualização global sobre as iniciativas de REDD+ em todo o planeta. Exemplos de alguns projetos estavam sendo apresentados em 45 stands e exibições de 30 pôsteres.

O diretor do Programa internacional do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia , Daniel Nepstad, apresentou tanto a vulnerabilidade da floresta Amazônica às mudanças climáticas, como as alternativas de sucesso para financiamento de projetos de REDD+ a nível estadual.

“Uma floresta é muito vulnerável à seca. Quando se queima pela primeira vez, se torna muito mais vulnerável a outras queimadas”, alertou Nepstad. Segundo ele, em 2030, 55% da floresta Amazônica estará comprometida devido aos drásticos efeitos das mudanças climáticas. E olha que esse valor não inclui a área já vulnerável como resultado das secas que a região sofreu em 2005 e 2010, quando milhares de árvores morreram liberando 30 bilhões de toneladas de gás carbônico (CO2) na atmosfera, um dos principais gases de efeito estufa responsável pelas mudanças climáticas.

Uma alternativa para contrabalancear o descontínuo fluxo de dinheiro advindo das linhas de crédito internacionais para os governos nacionais para custear iniciativas de REDD+, segundo apontou Nepstad, é promover cada vez mais projetos a nível estadual. Um exemplo é a iniciativa que o Estado de Califórnia, nos Estados Unidos, lançou em novembro de 2008, e que já conta com a participação de 16 estados da América Latina, entre eles, o Acre, e que juntos, representam 25% das florestas tropicais do mundo.

As companhias da Califórnia precisam compensar suas emissões de gases de efeito estufa. Par isso, elas têm a garantia da oportunidade, através desse acordo, de comprar créditos de carbono desses  estados florestais no mercado de carbono.

Como concluiu Nesptad, na cerimônia de abertura do 4° Dia Florestal: “Não podemos esperar até que as negociações alcancem um tratado internacional que estabelecerá um novo regime mundial econômico. Precisamos desde já de ter um plano B para ‘esfriar o planeta’. E promover o trabalho entre estados é uma importante alternativa”.

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